quarta-feira, 20 de junho de 2012


O Eterno Retorno
“O senhor disse que ...”
As palavras pronunciadas por nós sempre nos alcançarão. Aprendi isso muito cedo, quando os meus filhos ainda eram pequenos. Às vezes prometia alguma coisa, ou compartilhava certo conceito que em seguida era cobrado pelos meus pequenos, mas atentos ouvintes, com a seguinte expressão: “Mas o senhor disse que...”
Imagine as ondas que se formam em um lago tranquilo ao se jogar uma pedra no centro... Assim o som é propagado pelo universo, em ondas.  Ao se deparar com um obstáculo o som retorna; esse movimento chama-se: Reverberação; Eis a volta do som em direção à sua fonte original!
Outro conceito dessa reverberação chama-se: ECO. Dizendo de modo simplificado, é o encontro do som pronunciado com sua fonte original de modo rápido e constante
Contudo, sendo o mundo redondo, é de se imaginar que, se esta “onda” sonora não encontrar qualquer obstáculo em seu caminho, ela dará uma volta em torno do globo encontrando assim sua fonte originária. É lógico que a pressão sonora chegaria enfraquecida, precisando de uma amplificação para ajudar nossa limitada percepção.
Essa reverberação, seja forte a ponto de tornar-se eco, ou seja enfraquecida, diminuída, de modo que se torne quase imperceptível, sempre nos alcançará. A Bíblia diz isso em relação à fala de Deus também, conforme encontramos em Isaías 55:11 “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.
Esse retorno trará consigo os frutos da espécie plantada, segundo nos alerta Tiago quando lembra que o uso da língua deve seguir um rumo de coerência: “De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce.” Tiago 3:10 e 12
Por certo que a Lei do Eterno Retorno, desenvolvida pela Filosofia Grega, se não serve de fundamento teológico cristão para questões da alma, estou convencido que serve para o uso das palavras.
Se fizer sentido para você, o convido a plantar sementes de palavras abençoadoras, palavras verdadeiras que possam ser repetidas na presença ou ausência de qualquer pessoa, para a formação de um jardim onde as borboletas da alegria, da confiança e do amor encontrem seu lar.
O convido a plantar um pomar com tais palavras de modo que se possa colher frutos de sinceridade em uma amizade solidificada no caráter e não na conveniência.
O convido a fazer ecoar palavras cuja reverberação será bem vinda em qualquer tempo, lugar ou situação, de modo que sua vida destile arte; lembrando que no palco da existência você é coautor e plateia. Que suas palavras possam ser usadas em poesias e canções, tornando sua vida uma bela sinfonia tocada pela orquestra do universo, na qual o regente é Deus.  
Paulo Carlos
Coach, Professor e Pastor.
prpaulocarlos@hotmail.com / www.prpaulocarlos.blogspot.com

quarta-feira, 13 de junho de 2012




Sobre Pérolas, Diamantes e Pessoas.
Diamantes são pedras preciosas e extremamente resistentes a todo tipo de fatores externos, de modo que nada pode riscá-los a não ser outro diamante. No entanto, em paralelo, são frágeis por conta da sua composição em camadas octaédrica (8 faces) e às vezes  hexaquisoctaédrica (48 faces). São produzidos ao longo dos anos sob uma tremenda carga de temperatura e pressão. 
As Pérolas, de igual modo preciosas, são formadas a partir de uma ação natural pela sobrevivência da ostra que se sentindo agredida por um grão de areia, por exemplo, envolve o agressor com uma substância chamada de madrepérola. Assim, ela isola seu suposto agressor evitando que ele tenha contato com o resto do seu organismo. 
Diamantes e Pérolas são forjados na pressão. Seu momentâneo "sofrimento" traz como consequência seu inestimável valor. Sem pressão, sem calor, sem isolamento, eles não seriam o que são.
Há pessoas que são excepcionais; são pessoas do tipo Pérolas/Diamantes. Indivíduos forjados sob a pressão da condição humana, mas que não submergiram ante os desafios. Pelo contrário, foram perseverantes, nadaram contra a maré, ousaram pensar diferente e pagar o preço de não deixar-se massificar para viver a comodidade do não isolamento; decidiram viver autenticamente mesmo correndo o risco de sofrer pelo fato oferecer sinais de ameaça para a ostra chamada sistema.  
Pessoas assim não fogem com facilidade dos confrontos quando buscam pela justiça.
Contudo, como o Diamante, o mais resistente material formado pela natureza, pessoas Pérola/Diamante são frágeis; choram; acreditam e por isso também se decepcionam; não são perfeitas, por isso elas também decepcionam os outros; ainda por não serem perfeitas, elas precisam ser lapidadas.
Em relação às Pérolas, apenas 2% de todas as formadas naturalmente em todo mundo são possíveis de comercialização, pois só as perfeitas são comercializadas, e para serem consideradas perfeitas elas precisam ser totalmente redondas.
Pessoas Pérolas/Diamantes ainda que raras e excepcionais, forjadas na pressão e treinadas para as mais duras batalhas, são carentes de amigos verdadeiros, de parceiros fieis na caminhada e, sobretudo, precisam das mãos sublimes e perfeitas de um bom lapidador para que delas extraia o melhor e as tornem úteis para todos.
Esse lapidador é Jesus de Nazaré o qual entregou sua vida, como exemplo maior e perfeito de um homem do tipo Pérola/Diamante, nas mãos de Deus Pai, Criador de todas as coisas.
Paulo Carlos
Coach, Pastor, Professor.

terça-feira, 12 de junho de 2012


Crianças e Poetas
Amarelinha, bola de gude, esconde-esconde...
Faz de conta de ser médico, motorista, policial...
Brincadeiras infantis que ora imitam, ora criam a realidade.
Brincadeiras que utilizam o real para fantasiar;
Fantasia que cria uma realidade para com ela sorrir, divertir-se e, quem sabe, viver nela e por ela.
Fantasiando com o real e vivendo a realidade criada pela fantasia, a criança modela o seu mundo; constrói e destrói, em questão de segundos, castelos, cidades e mundos.
Latas tornam-se aviões, carros e motos; cabos de vassoura assumem o lugar das espadas e lanças; panos de chão e tolhas velhas são amarradas ao pescoço concedendo ao seu usuário o poder de voar; cacarecos que alguém poderia chamar de lixo, nas mãos de uma criança criativa são os instrumentos necessários e indispensáveis para compor seu mundo realisticamente fantasioso e fantasticamente real.
Assim faz o poeta. Utilizando as palavras como instrumento, produz uma realidade nunca antes imaginada, pelo menos não com aquele colorido.
Palavras comuns, até aquelas jogadas fora durante uma conversa casual na mesa de um boteco, ele as recolhe, acolhe, modela, reorganiza, contextualiza em outros cenários, brinca com elas fazendo-as dizer outras coisas que ultrapassa sua significação denotativa.
Ah... O Poeta!
O Poeta é um brincalhão; um inventor; um menino criativo que, usando as palavras de modo real, cria mundos paradisíacos, inimagináveis, quase intocáveis até mesmo pela imaginação do leitor; cria cenários deslumbrantes onde os amantes se encontram para desfrutar de paixões avassaladoras; inspira outras fantasias; produz um turbilhão de sentimentos de toda ordem e, com as mesmas palavras ditas de outro jeito, conduz seus leitores por campinas tranquilas e vales verdejantes até que encontrem repouso e um sono restaurador.  
Talvez Criança e Poeta sejam palavras sinônimas.
Engenheiro de sonhos. Talvez esse termo possa definir a função do poeta e o existir da criança.
Sozinho, esse engenheiro produz muito com tudo o que lhe vem às mãos, mas sempre com a esperança de ter alguém com quem possa compartilhar suas últimas ideias. Alguém capaz de perceber o quanto é real seu mundo de fantasia, e por isso a ele se une para continuar essa modelagem criativa enquanto precisam viver a realidade do existir.
Paulo Carlos.

sábado, 9 de junho de 2012


Sobre o Pensar.

Quando estou pensando, eu penso que penso de modo consciente. 
Contudo, conscientemente, eu penso sabendo que tudo o que penso não é consciente, pois sei que o inconsciente participa do pensar, sugerindo coisas que eu penso serem do consciente, mas quando penso direitinho percebo que não são. Logo, torno consciente um pensar inconsciente que me faz continuar pensando até chegar o momento tão esperado: A Decisão. 
Tomada a decisão, conscientemente sei que muito do inconsciente ali está, só me resta agora desfrutar das consequências que, advindas de uma decisão baseada em outras influências, virão de modo real. 
Mas o Real e o Irreal é outra discussão, outro pensar...