terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Delegação

‎‎"Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano.
E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.
Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.
Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra". 
Atos 6:1-4

Há muita coisa para refletir neste texto em relação ao ser igreja, mas aqui destaco duas coisas:
a) Os discípulos, embora treinados e enviados pelo próprio Jesus. reconheceram que não tinham condições de realizar a tarefa.
b) Apesar de serem os discípulos diretos de Cristo, eles delegaram à Igreja a tarefa de elegerem os responsáveis pelo trabalho que deveria ser realizado.
Foco na tarefa que lhe cabe e confiança no Deus que capacita os outros é a base de uma liderança sadia e democrática.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

SER PASTOR

Novamente Jesus disse: "Simão, filho de João, você realmente me ama? " Ele respondeu: "Sim, Senhor tu sabes que te amo". Disse Jesus: "Pastoreie as minhas ovelhas". (Jo 21:16)
Ser Pastor não é um título, embora alguns usem documentos e assinaturas para se afirmarem um.
Ser Pastor não é um emprego ou cargo embora alguns cobrem do pastor como se patrões fossem, e alguns dos pastores trabalhem como se fossem gerentes comerciais.

Ser Pastor é uma função que deve ser exercida, como declarou o apóstolo Paulo sobre a propagação do evangelho, esteja preparado a tempo e fora de tempo (II Tim 4:2). É uma função exercida por uma vontade divina, mas com um desejo gerado de dentro para fora daquele que é chamado. É uma função que recebe feedback desse chamado na comunidade onde ele serve; essa resposta é tão espontânea que os documentos e as assinaturas ”perdem” o seu valor.

Ser Pastor está para além das instituições. É uma função que rompe os limites das bandeiras denominacionais, porque pastorear é o atendimento de uma pessoa que busca orientação em relação as suas necessidades espirituais, sendo essa busca motivada por vontade e iniciativa da ovelha por reconhecer, naquele que ela chama de Pastor, alguém digno da sua confiança.

Ser Pastor é uma função às vezes reconhecida, às vezes não; às vezes compreendida, às vezes não; às vezes institucionalizada, documentada, assinada, burocraticamente estabelecida, mas, na maioria das vezes, exercida em um ambiente informal, amistoso e envolto na graça de Cristo, porque Ser Pastor é uma função; é um jeito de viver, ouvir e fazer as coisas.

Portanto, reconhecida, compreendida, institucionalizada ou não, a função de pastor será sempre exercida por alguém que foi procurado por outra para com ele compartilhar uma dor ou uma alegria, e este alguém que foi procurado, independente das barreiras aparentes, receberá este aflito, orará por ele, e sendo usado por Deus o animará, consolará, desafiará e orientará aquela que, naquele momento, tornou-se sua ovelha.

É um grande privilégio para um ser humano falho, ser chamado por Deus para exercer esta função. Que alegria invade este ser quando sente a comunidade reconhecendo este chamado.

Não mereço, mas sou muito feliz em ser usado pelo Senhor nesta missão.
Pr Paulo Carlos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pérolas

Faça o seu melhor

O caminho mais curto para a decepção é esperar receber elogios. Mesmo que se esforce para fazer o melhor, o faça com a intenção correta, pois se assim o fizer, até o anonimato te fará feliz. 
Faça o que fizer, o faça por amor ao que faz e não para ser visto. 
Não desista! Continue fazendo seu melhor, mas não para receber elogios ou ser reconhecido. 
Faça o seu melhor por você. Faço o seu melhor para Deus. Faça o seu melhor para que você não se decepcione consigo mesmo, fazendo menos do que sabe que pode fazer. "...Sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" I Coríntios 15:58 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Oração: Incinerador de máscaras

"Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações.
Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno. 
Salmos" 139:23-24
(Obs: Mensagem compartilhada na IBCor em 11/12/12)
*Estamos às portas de mais um ano novo. Momento que, via de regra, utilizamos para fazer reformas em nossas casas e planos para as nossas vidas. Assumimos compromissos, fazemos promessas e avaliamos o que foi feito. Contabilizamos as conquistas e as decepções.
Isso deveria alcançar nossa vida espiritual. *Os convido a fazer uma avaliação, contabilizar as vitórias e decepções nesta área e, se necessário, comprometer-se com uma reforma interior. Afinal, estamos hoje, mais uma vez, diante da mesa do Senhor e ela também requer uma autoavaliação.
Esta postura de avaliação e tomada de decisão nós encontramos no salmista quando escreve o salmo 139.
Ele reconhece a onipresença, onipotência e onisciência de Deus. E com base neste conhecimento de Deus ele ora (v. 23,24).
Na sua oração ele se dispõe a uma avaliação, a um exame profundo, por parte daquele que julga, não segundo as aparências, mas com justiça, com base na verdade.
*A oração é a chave que abre a porta para esta sala de avaliação onde Deus está. Entramos na dimensão divina quando oramos.
Se feita com sinceridade a oração tem o poder de nos desnudar por completo, e nos posicionar olho no olho com o nosso criador, tal qual ficou Adão.
A oração do salmista cria este cenário de prestação de contas, e a primeira pergunta desta avaliação é:
Que tipo de relacionamento eu tenho desenvolvido? Com Deus e com os outros? Tenho sido sincero, verdadeiro?
“Sonda-me ó Deus!”: *A sonda é um aparelho desenvolvido para exames e investigações profundas. Ela ultrapassa os limites do visível. Ela enxerga para além das aparências. Ela alcança o âmago, o mais intimo do objeto investigado.
*Tanto a psicologia, quanto a psicanálise trabalham com o conceito de que somos construtores de máscaras sociais.
Consciente ou inconscientemente, estas máscaras são utilizadas, às vezes para defesa, e às vezes para o ataque, mas sempre visando a inserção na comunidade. Sempre com o objetivo de ser aceito.
Utilizamos as máscaras por medo de não sermos aceitos como de fato somos.  *Desde modo, como um camaleão, vamos mudando de cor, nos acomodando com a situação, procurando uma aproximação amistosa. Escondendo quem realmente se é.
Sendo assim, ao longo da vida nos tornamos excelentes construtores de máscaras sociais.
1)*Inicialmente construímos máscaras para os que estão longe. Disfarçamo-nos para que não sejamos reconhecidos pelos que estão longe. Criamos a imagem que desejamos que o outro tenha de nós.
Pessoas que criam imagens assim geralmente tem sucesso porque tendemos a fazer juízo de tudo o que vemos. Isso é natural!
De longe conceituamos pessoas por aquilo que vemos, sem conhecer a pessoa de perto. (Ex: Comercial vinculado recentemente pela TV)
2) Vencida a primeira etapa. *Começamos a nos profissionalizar em construir máscaras para os que estão perto: Amigos, familiares, colegas de trabalho, da universidade, da rua, da Igreja.
Afinal precisamos fugir, ou disfarçar a incoerência. Todos os que estão de longe me acham bonzinho, é preciso que os que estão perto confirmem isso.
O problema é que nem todos conseguem êxito nesta tarefa, e qual é a saída?
Uma das formas é tentar convencer aos que estão perto que eles é que têm problemas, eles são os problemáticos, afinal os outros que estão longe me acham bom.
Portanto, jogo nas costas do outro a responsabilidade de se enquadrar no cenário que eu criei.
Sendo eu perfeito, porque os de longe assim entendem, quem tem que se consertar é o outro que está perto.
O salmista, que era rei, conhecia as suas limitações. Sabendo disso ele humildemente ora: SONDA-ME Ó DEUS! “Vê se há em mim, algum caminho mau”
Vai lá ao âmago da questão, no mais profundo do meu ser. Rompa com as aparências. Ponha às claras o que está escondido, revela-me se há algum caminho mau, em mim.
Revela-me se tenho tomando o caminho de enganar o outro, de fazer o outro pensar que comigo não há nada de errado, que o errado é ele, e não eu. Fazendo do outro escravo de culpas que ele não tem.
3) *Após modelar máscaras para uso externo, para que os de longe e os de perto nos aceitem, nos amem, nos acolham, nos recebam, nos admirem. Começamos a modelar máscaras internas. Elas são extremamente necessárias para que haja equilíbrio emocional quando houver um confronto com a ética. Precisamos estar convencidos que somos a imagem que projetamos para que não haja crise interna.
Sendo assim, o processo de autossugestão é intenso, visando inculcar em nossa consciência que realmente somos a última Coca-Cola do deserto. 
*Muitos conseguem isso. Acreditam piamente que já alcançaram a perfeição da condição humana.
Jesus conviveu e foi confrontado com alguns que assim se viam.
Críticos de plantão que enquanto Jesus curava cegos, aleijados e leprosos; dava liberdade e vida para quem estava condenado à prisão e morte; enquanto Jesus perdoava pecados e concedia, por graça, a salvação...
Eles pensavam mais ou menos assim: Quem ele pensa que é? Com que autoridade ele faz isso?
Os que usam este tipo de máscara interna acordam pela manhã e diante do espelho diz:
“Deus tem muita sorte de me ter por aqui no mundo. Se não fosse eu o que seria disso aqui?”
O salmista, por nome Davi, como rei, tinha o poder de decidir pela vida ou pela morte de um dos seus súditos. Decidiu pela morte de um deles para que o seu próprio nome não fosse jogado à lama.
Ele planejou a morte de Urias para que o seu adultério não fosse descoberto.
Davi sabia muito bem da existência das máscaras, inclusive, das internas,  pois foi usando a máscara interna, que o fazia enxergar seu poder, sua posição, seu status social, que ele agiu de modo torpe, enganador, desleal.
Consciente disso e sabendo que Deus era onisciente – conhecia seu interior- que Deus era onipresente - esteve em cada situação - sabendo, sobretudo que Deus é onipotente e que por isso poderia tanto destrui-lo quanto perdoa-lo, é o que salmista ora, apelando para a justiça divina... SONDA-ME Ó DEUS E CONHECE O MEU CAMINHO... VÊ SE HÁ CAMINHO MAU...
 Mas também apela para seu amor gracioso, perdoador, misericordioso e diz... “guia-me pelo caminho eterno.”
Caminho é a trilha que escolhemos percorrer. A forma que decidimos andar.
O salmista pede a Deus que não deixe nada sem ser iluminado pela sua graça. Talvez ele mesmo nunca tenha pensando que um dia poderia ter feito o que fez. Deste modo ele pede a Deus, que sabe todas as coisas, que não permita que ele enverede novamente por um caminho torto. Que ele não venha a enganar os outros, mas que também que não caia no autoengano.
É atribuído ao ex-presidente norte americano A. Lincoln a seguinte frase:
“Alguém pode enganar poucos por muito tempo, muitos por pouco tempo, mas não todos por todo o tempo.."


Temendo este desengano, o desmascaramento que poderia levá-lo à ruina, o salmista ora:
Guia-me pelo caminho eterno.
Caminho da verdade, da sinceridade, caminho sem máscaras, caminho da salvação.
Salvação não só depois da morte, mas aqui e agora.
Estamos diante da mesa do Senhor. Celebrando sua morte em nosso lugar. Ele pagou a nossa divida de pecado.
Que caminho, que rota utilizamos até chegar aqui hoje?
Que máscaras precisamos depositar nesta mesa para poder olhar no olho do nosso mestre, do nosso salvador, do nosso Senhor?
É hora de incinerar as máscaras. Queimar as fantasias colocar-se diante de Deus de forma íntegra, sincera, despojado de si, sem maquiagem gospel.
É hora de passar a sonda nos lugares mais profundos e sombrios da nossa alma. Lugares que até tentamos esquecer que existem.
É hora de expor as gavetas do nosso espírito à luz vinda de Jesus de Nazaré para que ela nos livre do mofo do pecado não confessado o qual sufoca o melhor de nós.
Os convido a orar como Davi orou e pedir a condução, a orientação o guiar de Deus de volta à sua casa, em direção à sua mesa.
Essa condução chama-se Graça.
Graça que perdoa, graça que restaura, graça que reintegra, graça que é favor não merecido, mas que nos alcança por amor.
Graça que nos livra das máscaras. Graça que verdadeiramente nos torna livres para sermos o que somos (Jo 8:32), porque em Cristo conquistamos uma nova identidade. Porque nEle Somos novas criaturas (II Cor 5:17)
Os convido a incinerar suas máscaras com o fogo desta oração encontrada no Salmo 139: 23,24.