terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pensativo...

O dia dos pais deste ano, para mim, foi muito esquisito. As homenagens que recebi, por ser pai, evidenciou ainda mais a ausência do meu pai. 
Em um misto de alegria e tristeza, este ano fiquei ainda mais pensativo quanto ao tempo e ao sentido da vida. 
Cada dia que passa percebo que minha lista de prioridades vai se modificando e aquilo que era prioridade, aos poucos, torna-se dispensável. Percebo que já não vale a pena "brigar" por coisas passageiras, nem ocupar a mente com nomes que logo já não serão nem mencionados. 
Ainda estou pensativo sobre estas coisas que chamamos de vida; por isso, este texto termina assim... (amo as reticências, elas nos deixam livres para pensar e viver).

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amanhã será outro dia.

Às vezes nos comportamos e nos preocupamos como se fôssemos viver muitos e muito anos, quando, talvez, só tenhamos o dia de hoje para viver.  
Acredito que, por isso, Jesus nos orientou a não estarmos ansiosos com o dia de amanhã, bastando vivermos o mal de cada dia (Mt 6:34), mas também desfrutando do bem, que Ele mesmo nos concede, a cada manhã.
Como é libertador descobrir que Deus está no controle de tudo.
Mesmo quando as coisas não vão bem, quando há uma sensação de solidão e o futuro está encoberto por uma curva de 90 graus, ter a certeza que tudo evolui para o cumprimento das promessas do Pai, e sentir-se incluindo nelas, faz o coração bater aliviado e produz a renovação do vigor de cada passo que teremos que dar, mesmo que seja pelo deserto em direção da caverna onde reencontraremos o nosso Deus que dará uma nova missão, tal qual aconteceu com o profeta Elias (I Reis 19). 

"Por isso, não tema Jacó, meu servo! Não fique assustado, ó Israel!", declara o Senhor. "Eu o salvarei de um lugar distante, e os seus descendentes, da terra do seu exílio. Jacó voltará e ficará em paz e em segurança; ninguém o inquietará."Jeremias" 30:10

Uma provocação para incentivá-lo à leitura.

No primeiro capitulo do livro “A República”, atribuído a Platão, encontramos uma disputa entre Sócrates e Trasímaco sobre o tema: O que é a justiça? Contra o argumento do seu interlocutor, Sócrates reutiliza a figura do pastor, usada por Trasímaco, para afirmar que o uso do poder visa tão somente o bem-estar dos subordinados e nenhuma outra vantagem há em governar, ou seja, o bom governante não exerce sua função por amor à honrarias ou qualquer outra espécie de vantagem pessoal. Completa seu pensamento sobre recompensa pelo exercicio do poder, catalogando o castigo como uma modalidade de salário. Este, porém, destina-se àqueles que, sendo capazes e chamados para governarem, se omitem ou se negam em fazê-lo. O castigo para estes, segundo Sócrates, é serem governados por alguém pior, ou seja, menos capazes do que eles.
Trasímaco quando utiliza a figura do pastor para afirmar que a justiça é a busca pela conveniência e o bem-estar do mais forte, argumenta que, no exercicio do pastoreio, o artífice busca engordar o rebanho para agradar seus patrões ou ter algum lucro sobre as crias. Sócrates o corrige fazendo distinção entre o verdadeiro pastor e o mercador de ovelhas. O primeiro, no exercício da sua função, nada mais tem em mente do que um rebanho saudável e bem alimentado. O sálario que recebe por cuidar dos animais é a compensação pelo trabalho realizado, já que, na argumentação socrática, o serviço ao outro deve trazer benefício exclusivamente ao outro, mas, por outro lado, o homem não se torna injusto por receber salário por seus serviços, assim como o médico por curar, ou um piloto por navegar bem um navio.
Trasímaco ainda defende o autoritarismo, o uso da repressão e até o desvio de dinheiro público, desde que por meio discretos, como atos de justiça e virtude, elogiando os Estados e os governantes que, por meio desdes e outros meios escusos, estabelecem-se e conquistam o poder.
Como se vê, a inversão de valores atribuido ao pensar contemporâneo já tem raízes no século V a.C. Além disso, vemos uma ética absolutamente autônoma e individualizada na expressão de Trasìmaco direcionada à Sócrates aqui transcrita: “Que difertença te faz se o que penso ou não desde que não me refutes?”.
Por fim, para provocar o interesse na leitura do livro mencionado, quero registrar que Sócrates afirma que o bom artífice não procura superar o semelhante no exercício da sua função, pelo contrário, o injusto é que tenta fazê-lo, e o motivo está explicado no texto que indico para leitura e reflexão de todos aqueles que, no  exercício da liderança, desejam conhecer a justiça sob o olhar filosófico.
Uma boa leitura.
Pr Paulo Carlos.
Referência Bibliográfica: A República. Platão. Ed Martin Claret. Cap I.