quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sorrir é coisa séria!


"Mas, quanto a você, ele encherá de riso a sua boca e de brados de alegria os seus lábios". (Jó 8:21)

Brincar com coisa séria pode parecer um sinal de imaturidade, mas será isso uma verdade absoluta? Se a resposta for positiva, como classificar uma crítica séria ao que se sabe ser uma brincadeira?

Quando meus filhos eram pequenos, uma das suas brincadeiras favoritas era a de esconde-esconde. Nosso apertamento, digo, apartamento, no qual morávamos no seminário, não nos dava muitas possibilidades de esconderijo. Esta limitação era facilmente superada pelos meninos através da atitude “criativa” de se esconderem embaixo do lençol da minha cama. O objetivo do jogo era que o escondido chegasse primeiro, no ponto de partida, do que aquele que procurava. Para dar tempo a eles de chegarem na sala antes de mim, facilitando assim sua vitória, eu fazia de conta que não havia percebido o monte formado no meio do lençol da minha cama por aquelas duas criaturinhas que não conseguiam abafar o riso nervoso. Então, eu saia para o outro quarto falando alto - “onde será que eles se esconderam?” -, para que eles soubessem onde eu estava,  dando-lhes a oportunidade de saírem em disparada para a sala, ganhando, assim, a partida. Se isso os ensinou a mentir, que Deus perdoe tamanha maldade da minha parte.

É obvio que eles amavam vencer cada batalha contra seu “herói” que, naquele momento, se tornava seu “rival”. No entanto, quando, para não ficar com a moral tão em baixa (rs), eu resolvia ganhar uma partida, encontrando-os em baixo do lençol ou atrás da porta, eles ficavam zangados e acusavam-me de trapaça; afirmavam que eu não tinha fechado os olhos durante a contagem, e, por isso, eu tinha visto onde eles se esconderam. Às vezes, um acusava o outro de ter facilitado a minha descoberta através do riso. Que saudade daquele tempo!

Brincando com meus filhos eu levava a sério a minha responsabilidade de ser pai e de tecer laços de amizade com os tesouros que Deus entregou-me para eu cuidar. Por outro lado, meus filhos, levando a sério aquela brincadeira, deixavam evidente que ainda não tinham atingindo a maturidade necessária para enfrentar, sozinhos, os desafios da vida. Vida que, frequentemente, resolve tirar algumas “brincadeiras” sem graça e geradoras de conseqüências sérias. 

Se não aprendermos a disfarçar nossa insatisfação em momentos como esses que a vida nos oferece, mesmo que com um sorriso acompanhado de uma lágrima, o mundo nos classificará de infantis.  Na verdade, há uma certa infantilidade dentro de todos nós, e ela se revela no desejo permanente de termos todas as coisas sob nosso controle. O pensar e agir de modo totalitário, que parece ser um ato adulto de liderança, está bem próximo do imaginário de poder infantil.

Acredito que não preciso, para o objetivo deste texto, detalhar mais o que desejo expressar. Resta-nos refletir, tomando por base nossa possibilidade de sorrir, até de nós mesmos, a seguinte questão: A maturidade tem a ver ou pode ser expressa apenas por semblantes carrancudos e modelos militares na resolução de problemas?

Sei que sorrir não é a única opção, mas acredito ser a melhor.  

Pr Paulo Carlos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Comunicação e Liderança

"A liderança participativa se faz através da boa comunicação"
(João Dória Jr)




Comunicação é a ação de tornar comum algo que, inicialmente, era de um só. Isso produz a Solidariedade que é um ato de doação inspirada na e pela necessidade do outro que recebe aquilo que está disposto a compartilhar em ato continuo. Qualquer ato de posse individual trava o processo e corta o canal de diálogo, instalando o processo de falência social.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um Rato no Voo

  • Um jovem piloto experimentava um monomotor muito frágil, uma daquelas sucatas usadas no tempo da Segunda Guerra, mas que bem conservado ainda tinha condições de voar…

    Ao levantar voo, ouviu um ruído vindo debaixo de seu assento.
    Era um rato que roia uma das mangueiras do sistema hidráulico que dava sustentação ao avião para permanecer nas alturas.
    Preocupado pensou em retornar ao aeroporto para se livrar de seu incômodo e perigoso passageiro, mas lembrou-se de que devido à altura o rato logo morreria sufocado por falta de oxigênio.
    Então voou cada vez mais e mais alto e notou que acabaram os ruídos que estavam colocando em risco sua viagem, conseguindo assim realizar uma arrojada aventura ao redor do mundo que era seu grande sonho…

    Moral da História

    • Se alguém lhe ameaçar, VOE CADA VEZ MAIS ALTO…
    • Se alguém lhe criticar, VOE CADA VEZ MAIS ALTO…
    • Se alguém tentar lhe destruir por inveja e fofocas, VOE CADA VEZ MAIS ALTO…
    • E por fim, se alguém lhe cometer alguma injustiça, VOE CADA VEZ MAIS ALTO…
Sabe por quê? Os ameaçadores, críticos, invejosos e injustos são iguais aos ‘ratos’, não resistem às grandes alturas. Enquanto ele reclama, você cresce!
(AUTOR DESCONHECIDO)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Permissão X Vontade Soberana de Deus



“Deus está no controle!”

É comum ouvirmos esta expressão quando nos deparamos com situações incômodas ou mesmo na justificativa de projetos pessoais que produzem desconforto para uma pessoa ou grupo de pessoas. De alguma forma, esta expressão traz consolo e certo conforto, faz amenizar os ânimos “revolucionários” por algum tempo, amoldando o senso crítico através do confronto com o elemento transcendental, ou seja, pondo em rota de colisão a parcial visão humana com a soberania divina.

Na verdade, Deus está efetivamente no controle de todas as coisas. O problema desta questão está em confundir vontade com permissão. É muito comum equiparar o controle total e soberano, meio pelo qual Deus age quando o homem, aproveitando a permissão divina, desobedece agindo contra a vontade do Senhor, com a vontade intencional de Deus que a Bíblia conceitua como sendo boa e agradável (Rm 12:2), e que é, deliberadamente, desobedecida no uso irrestrito do nosso livre-arbítrio, acarretando uma série de consequências produtora de dor, tristeza, amargura, decepção, raiva, revolta e todo tipo de mazelas que se configuram como recompensa pelo pecado.

Tudo está sob o controle de Deus, mas nem tudo o que acontece é produto da Sua vontade intencional e direta. Exemplo clássico disso está no registro da gênesis da humanidade. A ação de apoderar-se do fruto proibido por parte de Adão e Eva se deu dentro do âmbito da permissão de Deus. Sua vontade foi expressa ao casal e depois deixou que o livre-arbítrio fosse utilizado por eles. Sua vontade era que o casal não tocasse no fruto, mas no uso, permitido por Deus, do livre-arbítrio, o casal fez o contrário (Gen 2:15-17; 3:1-6). A consequência se efetivou. Como Deus havia alertado, a morte se fez presente. A dor foi multiplicada (Gen 3:16). A vida paradisíaca deu lugar ao esforço pela sobrevivência (Gen 3:17). Até a natureza foi atingida (Gen 3:17,18). Contudo, nada escapou ao controle de Deus. Pelo contrário, a história foi toda conduzida em direção ao grande dia da vinda do Messias, profetizado e esperado por todos. A rejeição e morte do Seu filho, de modo algum, frustrou os planos de Deus. A morte e ressurreição de Jesus apontou para um novo dia, uma nova terra, um novo modo de viver, sem dor ou morte. Chamamos isso de vida eterna. (Apoc 21:1-7).

Às vezes, sofremos pelo pecado do outro, embora estejamos no centro da vontade divina. Isso aconteceu com Paulo e Silas (Atos 16:16-26). Presos por anunciar o evangelho e trazer libertação, eles sofreram açoites e prisão. A vontade de Deus era que os habitantes daquela cidade tratassem seus enviados com honra, que os recebessem com alegria, mas o texto nos mostra outra situação. Os desejos pessoais e a vontade de lucro independente da situação do povo, levou aqueles cidadãos a desejá-los longe. Com Deus no controle de tudo, a prisão não foi empecilho para os apóstolos nem para a ação divina, pelo contrário, Sua presença ali, através dos seus enviados, trouxe salvação para o carcereiro e sua família.

A vontade intencional de Deus continua a mesma que a do primeiro dia da criação. Deus nos criou para o louvor da Sua glória e para um relacionamento de intimidade, mas o livre-arbítrio nos dá a condição de ir para longe dessa vontade, no entanto, nada fica fora do Seu controle, e no final, tudo será efetivado como Ele determinou.

Como na primeira história, nós também temos, da parte de Deus, um convite: o de obedecermos e nos aliarmos à Sua vontade. Mas se tentarmos cuidar da vida por conta própria, selamos nosso futuro nessa mesma condição.

Vida eterna com Deus é a continuidade da caminhada que escolhemos fazer hoje. Se queremos vida eterna com Deus, é preciso escolher fazer isso agora.

Mas, enquanto esta vida eterna não se estabelece definitivamente, temos uma existência para dar conta, e também nesta etapa precisamos tomar decisões, e estas decisões também precisam estar aliadas à verdadeira vontade de Deus.

Somos livres para escolher. Utilizemos esta liberdade com responsabilidade e verdade. Ao tomar uma decisão, sejamos honestos em declarar se fizemos a escolha por obediência à voz de Deus ou por conveniência pessoal, fugindo do confronto, ou para não desagradar a quem amamos ou a quem tememos, sabendo que Jesus nos alertou a quem devemos temer de verdade. E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.” Mt 10:28.

Até o final, Deus permitirá que utilizemos o livre-arbítrio e que erremos, mas durante todo o percurso, utilizando da Sua soberania, Ele colocará placas de advertências, acessos de retorno e todo tipo de sinalização para que tomemos as decisões corretas, a fim de que ninguém tente fazer o que o primeiro casal fez: tomou a decisão e depois tentou colocar a culpa em alguém quando as consequências foram efetivadas (Gen 3).

No centro da vontade de Deus há paz, há concordância, há prosperidade e mesmo quando há perseguição e dor, ainda assim haverá prosperidade (Atos 16). No centro da vontade de Deus estaremos seguros apesar de toda ameaça. Poderemos até sofrer as consequências da desobediência de alguém, mas ainda assim Deus restaurará a nossa história, porque, definitivamente, Ele está no controle de todas as coisas, e isso deve fortalecer nosso coração na hora da tomada das decisões. Que estas decisões não sejam conduzidas por vontade humana, mas sejam efetivamente guiadas pelo nosso Senhor.

No amor do Cristo que foi exemplo de escolhas acertadas,

Pr Paulo Carlos