domingo, 27 de março de 2011

Como não ser feliz?

"...e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz," (Colossenses 2:14)

Encontro neste texto um motivo para sorrir.
A vida cristã, para mim, é antes de tudo um jeito gostoso, sadio e divertido de passar por esta existência tão marcada por violência, crueldade, incoerências, mentiras e tantas outras mazelas fruto da pecaminosidade que o jeito humano de fazer as coisas nos legou. 
Se diante de Deus, sem a mediação de Cristo, me deparo com o horrendo destino da minha alma e isto me traz angústia, tristeza e uma tremenda sensação de isolamento; ao sentir-me protegido pela graça como posso manter-me numa postura gélidamente estóica, acreditando que só assim Deus perceberá e receberá minha profunda devoção e gratidão?
Como pai de três lindos presentes de Deus, lembro-me, quando eles ainda pequenos, de como imaginava, na hora da escolha de um presente, a alegria e o modo como cada um poderia agir na hora do recebimento. Como era gostoso poder, através da alegria estampada no rosto ou nos pulos de felicidade, perceber o contentamento deles. Em seguida eles corria para mostrar o novo brinquedo aos amigos e a todos que chegavam em nossa casa. Brotava alegria em nosso coração em saber que acertamos na escolha.
Salvaguardando as devidas proporções, é assim que comparo o recebimento da Boa Nova em Cristo. Minha dívida já está paga. Não sou um condenado ao isolamento, à perdição, à uma eternidade sem a presença e o cuidado de Deus. Sendo assim, como não sorrir, como não compartilhar com alegria esta dádiva que está disponibilizada a todos, sem distinção? 
Sou brincalhão, sim! Não tenho motivos para ser diferente. Fui resgatado por Cristo; fui por Ele chamado para serví-lo no ministério; fui curado de um câncer; tenho uma família linda, toda salva, comprometida, servindo com alegria junto comigo. Estas entre tantas e tantas outras bençãos, irrigam meu coração de modo que é impossível não ter um sorriso nos lábios e uma mente fertilizada com a felicidade produzida pela graça redentora de Cristo.
A vida não é fácil, Jesus já alertou ..."No mundo tereis aflições..". Mas Ele não mandou lamentar por isso. Pelo contrário, Ele disse: ..."Tende bom ânimo...".    
Sem negar as mazelas da vida, vivo de modo que elas não se tornem mais pesadas do que são, nem para mim, nem para quem está do meu lado. O modo que encontrei para fazer isso foi apresentar o motivo que temos para sorrir, e este motivo é o amor incondicional de Cristo por nós.  
Sorria, Jesus te ama! Ele já pagou a dívida de pecado que a Lei exigia. Por Ele temos vida e vida sem fim. Quer maior motivo para sorrir?
Pr Paulo 

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Poder da Disponibilidade

“E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” Atos:2:7,8

“Deus nunca chama pessoas que não sejam capazes de realizar sua obra.”

Hoje, à luz dos exemplos bíblicos, questiono esta máxima que foi usada certa vez para que eu aceitasse uma tarefa que não me sentia preparado para realizá-la. Não questiono a sabedoria de Deus na escolha, mas a ideia que está por trás dessa frase que poe a capacidade humana como fundamental para a escolha divina.

Entendo que, quando se trata de uma tarefa relacionada ao Reino de Deus, nenhum de nós estamos suficientemente preparados para cumpri-la. Ai de nós se acharmos que nossa força ou inteligência sejam suficientes para cumprir a missão que o Senhor nos designou.

Acredito que o sentimento de pequenez, frente ao desafio, encontrado em Moisés, Gideão, Isaías, Jeremias, entre outros, esteve presente no coração dos discípulos de Jesus quando foram incumbidos a testemunharem do evangelho até os confins do mundo. Este sentimento revelou-se na atitude do grupo ao obedecer ao comando de Cristo para aguardarem a ação capacitadora do Espírito Santo antes de agirem (Atos 1:4,5).

A experiência narrada no capitulo 2 de Atos deixa claro que, quando nos disponibilizamos, Deus age, e as nossas incapacidades, embora reais, deixam de ser empecilho para a manifestação da glória do Pai.

A tarefa ainda é a mesma: Sermos testemunhas. A incapacidade é a mesma: Somos seres humanos com falhas, medos e limitações. Mas não devemos esquecer que o Deus que chama, capacita e age é o mesmo. Ele não mudou e não mudará. Ele agirá de forma surpreendente através de nós, sempre que houver disponibilidade da nossa parte. Na verdade, é o reconhecimento da nossa incapacidade que nos torna aptos a sermos canais da ação de Deus, como afirma Jesus em João 15:5 “...porque sem mim nada podeis fazer”.
Quando humildemente assumimos nossa condição e deixamos Deus agir, nossas ações e palavras tem alcance e são entendidas em todas as línguas e tribos.

Por tanto, Deus chama e usa, não os capazes aos seus próprios olhos, mas os dependentes da Sua misericórdia, e disponíveis para serem canais de benção na vida dos outros.

No amor do Cristo que chama, capacita e renova as forças do fraco,
Pr Paulo Carlos